Mais lidas 🔥

Previsão do tempo
Super El Niño pode ser o mais forte em 140 anos e elevar calor global

Piscicultura
Nova indústria de pescado em Domingos Martins deve impulsionar piscicultura capixaba

Cotações
Café, boi e hortifrúti: confira as cotações do dia 06 de abril

Histórias do campo
Um curso, uma escolha e um café que atravessou fronteiras

Previdência rural
Agricultor familiar fica livre de nova cobrança previdenciária

Ecoporanga, uma das últimas fronteiras agrícolas do Espírito Santo, recebeu, na quinta-feira, dia 09, a 4ª edição do Conilon Tec. O evento, realizado no Parque de Exposição do município, reuniu cerca de mil participantes, consolidando-se como um dos principais encontros voltados à cafeicultura no noroeste capixaba.
Produtores rurais, estudantes de cursos técnicos ligados ao meio rural, autoridades e especialistas do setor participaram da programação, que abordou temas como fertilidade do solo, escolha de clones, tecnologias para produção de cafés especiais e manejo da irrigação.
O cafeicultor Paulemar Aleandro Siqueira, um dos idealizadores do encontro, destacou que o crescimento do Conilon Tec reflete o interesse cada vez maior pelo fortalecimento da atividade na região. “Começamos com 13 pessoas na primeira palestra e hoje chegamos a essa proporção. É uma satisfação enorme ver o município se desenvolver. Nosso objetivo é incentivar o produtor, levar conhecimento, tecnologia e estar presente junto com eles”, afirmou.
Entre os participantes, a produtora Lacy Ferreira da Silva Souza, do Córrego Boa Vista, em Três Barras, ressaltou a importância do evento para o dia a dia no campo. Em seu segundo ano de participação, ela afirma que o aprendizado tem impacto direto na produção. “A gente aprende muita coisa com as palestras e passa a praticar na roça. Devagar vamos melhorando nossa produção”, contou.
Produtor no Assentamento Miragem, Dayvidson Alves Roseno participou de todas as edições do Conilon Tec e destaca o impacto direto do evento na produtividade de sua lavoura. “Toda vez que eu venho, levo uma novidade para casa. Hoje, acredito que minhas lavouras estão em alta produtividade graças ao evento. Cerca de 80% do que aprendo aqui aplico na propriedade. Nutrição, poda, colheita — se não fizer certo, é prejuízo”, afirmou. Para ele, iniciativas como essa são fundamentais, especialmente pela distância dos grandes centros. “Falta acesso à tecnologia e conhecimento, e o evento traz isso para a gente”, completou.

Um dos palestrantes foi o pesquisador da Embrapa Café, Marcelo Curitiba, que falou sobre os clones mais cultivados no estado e a importância da escolha adequada para cada região. Segundo ele, a orientação técnica é essencial, especialmente em áreas em expansão da cafeicultura.
“Essa discussão é fundamental em regiões que estão começando a investir no café, como Ecoporanga, Ponto Belo, Mucurici e Montanha, tradicionalmente voltadas à pecuária. É essencial que o produtor escolha bem o que plantar, considerando, por exemplo, a disponibilidade de água, já que se trata de uma região mais seca”, explicou.
O prefeito de Ecoporanga, José Luiz Mendes, também destacou o papel estratégico do Conilon Tec para o desenvolvimento local e regional. Segundo ele, fatores como terras mais acessíveis, disponibilidade de água, solo fértil e relevo adequado têm impulsionado a cafeicultura no município.

“O Conilon Tec tem se consolidado como um evento estratégico para o fortalecimento da cafeicultura e do agro como um todo. A iniciativa vem crescendo, atraindo produtores e investidores, promovendo uma agenda de desenvolvimento para todo o noroeste capixaba”, afirmou. Ele ressaltou ainda que o evento contribui para a geração de emprego, aumento da renda e melhoria da qualidade de vida, ao incentivar parcerias, capacitação e investimentos no setor.
O evento é organizado pelo casal de engenheiros Rogério e Alcione Gomes da Silva, em parceria com os produtores Paulemar e Adriane Vaz.
Cafeicultura em Ecoporanga
Maior produtor de leite do Espírito Santo, Ecoporanga, no Extremo Norte do estado, assiste ao crescimento da cafeicultura. Números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que a produção de café mais que dobrou em dez anos.
Em 2013, o município tinha 1.130 hectares de área plantada ou destinada à colheita de café. Em 2023, esse número passou para 2.650 hectares. Já a produção, que era de 1.340 toneladas, saltou para 5.027 toneladas.
A pecuária, no entanto, fez o caminho inverso. Em 2013, eram 244.985 cabeças de gado; em 2023, o número caiu para 226.147. A produção de leite recuou de 49,665 milhões de litros para 24,054 milhões no mesmo período.





