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Professora troca salto alto por botina e aposta em fruticultura no Noroeste do ES

Pioneira em espécies como o mirtilo, framboesa, abacate e hass, Nilce Merlo provou ser possível cultivar outras culturas além do café em Alto Rio Novo

por Rosimeri Ronquetti

em 01/02/2024 às 0h50

3 min de leitura

Professora troca salto alto por botina e aposta em fruticultura no Noroeste do ES

Foto: arquivo pessoal

*Matéria publicada originalmente em 09/01/2023

A célebre frase de Pero Vaz de Caminha sobre o solo brasileiro, “em se plantando, tudo dá”, faz muito sentido para a professora universitária, pedagoga e ex-dona de livraria, Nilce Merlo Chaves. Com uma vida totalmente urbana, em 2020, em meio à pandemia, ela contrariou todas as expectativas ao iniciar o cultivo de frutíferas um tanto quanto “exóticas” para Alto Rio Novo, no Noroeste do Espírito Santo, região predominantemente cafeeira.

Incentivada por um dos filhos, Nilce, que é viúva, plantou no sítio da família abacate, uva, mirtilo, framboesa vermelha, amora preta e hass, também conhecido como avocado ou mini abacate. Sem nenhum conhecimento sobre agricultura, apesar de ter nascido no interior, para colocar o projeto em prática foi preciso, como ela mesma diz, trocar o salto alto pela botina e colocar a mão na terra.

Foi preciso desapegar, deixar o salto alto de lado e calçar a botina. Tenho alegria de dizer que sou professora de inglês, pedagoga e, agora, produtora rural, com muito orgulho. Saí do campo e o campo nunca saiu de mim, retornei às minhas raízes. Estou feliz e realizada nas duas profissões”, diz orgulhosa. 

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Também foi necessário ir em busca de conhecimento e não dar ouvidos às pessoas a sua volta. “Por eu ser da cidade e não conhecer nada sobre produção agrícola, os vizinhos me chamavam de louca, diziam para as pessoas não trabalharem comigo porque eu estava louca. Achavam que aqui só era possível produzir café e mais nada. Sempre acreditei e mostrei ser possível, que é preciso buscar alternativas”, destaca Nilce. 

A produtora foi a São Paulo conhecer uma fábrica para conhecer a produção de azeite de abacate. Além de conhecer vários lugares, também levou o funcionário para ver de perto o cultivo das frutas. 

 

Futuro promissor

No Sítio Beija Flor, na comunidade de mesmo nome, a aproximadamente 800 metros de altitude, Nilce tem 8 hectares de hass e abacate das variedades geada, margarida e fortuna (plantios com dois e três anos), 500 pés de mirtilo e a mesma quantidade de uva, metade da variedade isabel precoce e a outra de niágara rosada, e está iniciando o plantio de framboesa vermelha e amora preta. 

Investimento perto de R$ 117 mil, entre mudas de qualidade- as mudas de mirtilo, por exemplo, vieram de um viveiro especializado de São Paulo-, sombrite apropriado para evitar a invasão de pragas e irrigação. De acordo com a produtora, o investimento já começa dar retorno. 

Comercialmente falando é um ótimo negócio. Ainda não podemos dizer se já recuperamos porque é um investimento novo, mas temos um futuro promissor. O abacate é utilizado em várias indústrias e está se popularizando com fruta com gorduras boas e saudáveis, o que aumenta ainda mais o consumo in natura ou na forma de azeite. O mirtilo está começando a safra e produzindo bem. E a uva já colhemos 2.500 quilos”, explica Nilce.  

A comercialização das frutas e feita em feiras e supermercados de Vitória e Colatina e na propriedade, o cliente mesmo escolhe.

Aos produtores que não acham possível inovar e fazer diferente, Nilce deixa um recado de incentivo e esperança. “Estou extremamente feliz e realizada e sonho com dias melhores. Que os produtores tenham coragem de começar algo novo, de enfrentar os desafios, que sigam o meu exemplo e acreditem ser possível”.

 

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