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As exportações brasileiras de derivados de cacau para os Estados Unidos sofreram forte queda em agosto, após a entrada em vigor do tarifaço que impôs alíquota de 50% sobre os produtos nacionais a partir do dia 6. Segundo a presidente executiva da Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC), Anna Paula Losi, os embarques totalizaram US$ 6,3 milhões em agosto de 2025, contra US$ 11,7 milhões no mesmo mês de 2024 — retração de 46% em valor. Em volume, a redução foi ainda mais acentuada: de 837 toneladas para 380 toneladas, queda de 55%.
Na última segunda-feira (8), entretanto, uma nova ordem executiva do governo de Donald Trump isentou cacau, café e outros produtos das tarifas adicionais. A decisão, contudo, não garante automaticamente tarifa zero para o Brasil. Para que isso ocorra, o país precisa firmar acordos formais com o Departamento de Comércio dos EUA e com o US Trade Representative.

A pressão dos importadores será determinante nesse processo. Mas Losi lembra que, ao contrário do café — em que o Brasil é fornecedor estratégico para o mercado global —, os compradores norte-americanos contam com alternativas para adquirir derivados de cacau de outros países. “Não há risco imediato de inflação ou desabastecimento no mercado norte-americano, o que enfraquece a urgência de negociações específicas para o cacau”, explicou.
Apesar do recuo nas vendas, a dirigente da AIPC avalia que a última ordem executiva da Casa Branca cria um ponto de partida para novas negociações bilaterais. “Ela abre uma brecha de oportunidades em um cenário complexo e volátil, mas que pode trazer resultados no futuro. No entanto, já percebemos que há cancelamentos de contratos e embarques colocados em espera. Se o cenário não mudar, fornecedores de outros países vão ocupar esse espaço no mercado norte-americano, e recuperar esse mercado depois pode ser muito difícil”, alertou.
Mesmo diante da incerteza, alguns itens brasileiros derivados do cacau devem continuar chegando ao mercado norte-americano. Um exemplo é o pó preto, produto alcalinizado utilizado em biscoitos escuros e que só é fabricado no Brasil. “Esse é um produto em que há déficit no mercado global, então os Estados Unidos terão de continuar comprando daqui”, observou Losi.
Para fortalecer a competitividade, Losi defende ampliar a produção nacional e reduzir a dependência da importação de amêndoas, ainda necessárias à indústria brasileira. “Enquanto dependermos de amêndoas externas para processar derivados, nossa competitividade será limitada. É um trabalho de longo prazo, que exige estratégia e investimento”, concluiu.





