Ser sustentável em tempos de crise

“ Gilberto Monteiro Tessaro1, Jeferson Pereira Ferreira1, Perseu Fernando Perdoná1, Wander Ramos R.Gomes¹/2 (1)Engenheiros Agrônomos -Consultores Técnicos da Cooabriel &ndash, (2) Coordenador Técnico. Em tempos de seca é verdadeiramente difícil tratarmos de outros assuntos que não seja a falta de chuva, e o futuro da cafeicultura. No entanto, nesta edição do Guia do Cafeicultor vamos […]

Gilberto Monteiro Tessaro1, Jeferson Pereira Ferreira1, Perseu Fernando Perdoná1, Wander Ramos R.Gomes¹/2

(1)Engenheiros Agrônomos -Consultores Técnicos da Cooabriel &ndash, (2) Coordenador Técnico.

Em tempos de seca é verdadeiramente difícil tratarmos de outros assuntos que não seja a falta de chuva, e o futuro da cafeicultura. No entanto, nesta edição do Guia do Cafeicultor vamos abordar a crise das propriedades rurais afetadas pela seca. Não vamos nos privar unicamente à falta de água para irrigar nossas lavouras. Nesta edição, vamos tratar de assuntos que impedem que as propriedades rurais se tornem sustentáveis, e vamos mostrar algumas opções simples que podem melhorar esta triste realidade.

Por definição clássica, uma agricultura sustentável é aquela ecologicamente equilibrada, economicamente viável, socialmente justa, humana e adaptativa (Reijntjes et al, 1992). Aqui vamos nos atentar principalmente, a parte que se refere ao economicamente viável e a parte adaptativa, pois estes tópicos são cruciais para quem quer ser sustentável mesmo na seca.

Reservas &ndash, Com a disponibilidade e facilidade em se contrair empréstimos, muitos produtores acessaram muitas operações de financiamento e custeio, gerando assim um valor alto de parcelas a pagar no ano. Com a queda na colheita, e com as reservas esgotadas o produtor se tornou altamente vulnerável à crise, pois todo o seu recurso está comprometido na propriedade, ou seja, o produtor trabalha praticamente sempre com o caixa zerado sem nenhuma reserva de emergência. O ideal é que por mais complicada que a situação esteja, o produtor faça uma reserva de emergência, e todo ano guarde uma parte da colheita para este fim, e ainda, que procure formas de negociação com os bancos em caso de dívida.

Diversificação &ndash, Grande parte dos produtores possui somente uma fonte de renda que é a propriedade rural e dentro desta propriedade tem somente uma cultura, assim, quando esta cultura entra em crise por algum motivo, toda a sua fonte de renda está comprometida. Daí a importância da diversificação de culturas na propriedade, diluindo os riscos em situações de crise, pois, a possibilidade dos preços de todas as culturas trabalhadas caírem ao mesmo tempo é muito pequeno.

Conservação do solo &ndash, Com avanço das tecnologias, tais como: fertilizantes solúveis, sistemas de irrigação automatizados, clones altamente produtivos, nos proporcionou ótimos resultados. Isso levou alguns produtores a perder a concepção da real finalidade do solo, tendo a ilusão de que o mesmo serve apenas como suporte para o desenvolvimento de culturas. Plantio em nível, terraços, caixas secas nas estradas, manejo do mato nas entrelinhas (Figura 1), barraginhas, são técnicas que reduzem o escorrimento superficial e a perda de solo, mantendo a fertilidade e aumentando o teor de matéria orgânica, o que ajuda a manter a umidade e reduzir a temperatura do solo nos dias quentes. Estes assuntos foram discutidos também na edição 204 do Jornal da Cooabriel acessível no site oficial.


Proteção da vegetação
&ndash, Está em vigor a Lei N° 12651 de maio de 2012, que estabelece normas gerais sobre a proteção da vegetação, Áreas de Preservação Permanente &ndash, APP’s e as áreas de Reserva Legal. Entretanto, pouca importância é dada para este tema, e muitos produtores pagam altos valores para dar manutenção em seus reservatórios retirando desses quantidades significativas de solos e outros detritos carregados muitas vezes das próprias lavouras (causando o empobrecimento do solo), isso se deve sobretudo, ao fato da ausência de vegetação florestal nas áreas de topo de morro e nas faixas marginais de cursos d’água e represas, visto que, as matas ciliares minimizam os efeitos nocivos das enxurradas, evitando que essas carreguem solo até os reservatórios e calha dos Rios e córregos. No artigo “A importância das nascentes ” publicado no site da Cooabriel no dia 20 de outubro de 2015, foi discutido entre outros pontos a recomposição da vegetação ao redor das nascentes.

Sistema de irrigação Eficiente &ndash, No que tange ao regime de irrigações, não existe um único sistema de irrigação considerado ideal, ou seja, capaz de atender quaisquer condições, visto que é necessário adequar esse ao tipo de cultivo, mas em específico para o cafeeiro, é sabido que o sistema que apresenta melhores resultados em termos de eficiência é o gotejamento, com eficácia acima de 90%.

Nas propriedades rurais, raramente é feito algum tipo de controle de irrigação nas lavouras, geralmente o turno de rega é determinado pelo conhecimento empírico, assim, normalmente o produtor não realiza a irrigação, mas sim “molhação ” onde não se considera a real necessidade da cultura, essa que é variável de acordo com a estação do ano e o estado vegetativo, tipo de solo, topografia da área, qualidade da água, etc. Desta forma podendo acarretar em perda de água e adubo por percolação (Figura 2) causado por excesso de água ou enfraquecimento da lavoura por falta de água.

O ideal é que se utilize por exemplo, um tensiômetro para monitoramento da quantidade de água a aplicar e a profundidade que está se atingindo, reduzindo assim o consumo de água, energia, fertilizantes, melhorando o desempenho da cultura. Outro ponto que nem todos os produtores se atentam, são os vazamentos nas linhas de irrigação que devem ser reparados e o sistema deve ser bem dimensionado para evitar desuniformidade de pressão nas saídas de água e desperdício de dinheiro na compra de material inadequado e na conta de energia, devido motobomba mal dimensionada.

Sempre que possível consulte um profissional da área técnica para uma melhor orientação.

Enfim, períodos de estiagem prolongado sempre existiram, e continuarão existindo, por isso é de extrema importância que o produtor cultive em sua propriedade somente o que de fato há condição de irrigar, baseado em períodos normais de seca, que variam de um ano para outro entre 5 a 7 meses. Desta forma, se consegue fazer a melhor manutenção das lavouras evitando o stress hídrico, mantendo os tratos culturais e consequentemente evitando quedas drásticas de produção, como ocorreu em grande parte das propriedades neste último ano safra.

Fonte: Cooabriel

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