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Alguém tem dúvida de que a cerveja faz parte da vida do carioca? Nas praias desse “Rio 40 graus”, nos altos e baixos desse relevo sem igual, nas noites, nos encontros, nas letras das músicas, a cerveja está presente e harmoniza com todas as companhias e ambientes. Há tempos perdeu força aquele jargão que diz que cerveja gelada é tudo igual. Ficamos mais exigentes. O século XX testemunhou uma explosão na diversidade de cervejas, com a ascensão das cervejarias artesanais, que trouxeram de volta a arte milenar da fabricação da bebida, nos mostrando sabores intensos e diversificados. A cerveja é produzida a partir da fermentação de cereais, principalmente a cevada maltada. Os mestres cervejeiros buscaram resgatar receitas antigas e experimentar com novos ingredientes, levando a uma revalorização das tradições cervejeiras.
A cerveja é a bebida alcoólica mais consumida no mundo, atualmente, e a terceira bebida mais popular do mundo, logo depois da água e do café. Para analisarmos esse mercado, inicialmente podemos consultar os dados da Food and Agriculture Organization of the United Nations (FOA), que mostra que o Brasil é o terceiro maior produtor mundial de cerveja, atrás apenas dos EUA e da China, em primeiro lugar. Dados do Anuário da Cerveja 2022, elaborado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), no Brasil há 1729 cervejarias registradas, sendo apenas 210 no Estado do Rio de Janeiro. De forma positiva, o Rio de Janeiro se destaca como o Estado com a maior dispersão de cervejarias, apresentando 42,4% de seus municípios com, ao menos, uma cervejaria registrada. Para as cervejarias artesanais, a qualidade dos ingredientes é importantíssimo, e o lúpulo já está sendo cultivado no Estado, principalmente na Região Serrana, por suas condições climáticas favoráveis e a terra fértil para produzir variedades únicas. Essa busca pela autossuficiência na produção de insumos destaca o compromisso das cervejarias artesanais do Rio de Janeiro com a qualidade e a singularidade de suas criações.
Falando um pouco da cerveja, especialistas dizem que há mais de 150 estilos de cerveja pelo mundo, sendo sete deles mais conhecidos:
Lager: É, talvez, o estilo de cerveja mais consumido globalmente. Ela é conhecida por sua fermentação de baixa temperatura e apresenta um perfil de sabor suave e refrescante. As lagers podem variar de claras e leves a escuras e encorpadas.
Ale: As ales são fermentadas em temperaturas mais altas, resultando em uma variedade de sabores mais robustos. Existem diversas subcategorias de ales, incluindo Pale Ale, IPA (India Pale Ale), Stout e Porter.
IPA (India Pale Ale): As IPAs ganharam destaque na cena cervejeira devido à sua explosão de lúpulo, proporcionando aromas cítricos, florais e, muitas vezes, amargor pronunciado. Dentro das IPAs, encontramos subestilos como American IPA, New England IPA e Double IPA.
Stout: As stouts são conhecidas por sua cor escura e sabores intensos de malte torrado, chocolate e café. Algumas variações incluem a Sweet Stout, que é mais suave, e a Imperial Stout, que é mais encorpada e alcoólica.
Pilsner: Outro estilo de cerveja que se destaca é a Pilsner, conhecida por sua leveza, frescor e sabor nítido. Originária da República Tcheca, a Pilsner tornou-se um padrão para cervejas claras e de alta qualidade.
Weissbier (cerveja de trigo): Feita com uma proporção significativa de trigo, é uma cerveja de sabor frutado e muitas vezes apresenta notas de banana e cravo, provenientes da levedura utilizada na fermentação.
Belgian Ale: São conhecidas por sua complexidade e variedade. Entre elas, destacam-se as Belgian Dubbel, Tripel e Quadrupel, cada uma com teor alcoólico crescente e sabores únicos.
Como case de sucesso, trago a Roter Cervejaria, situada na região do coração do Vale do Café, que investe continuamente na modernização da fábrica e no aprimoramento das técnicas e processos de produção. “Cada estilo de cerveja produzido por nós, é exaustivamente aperfeiçoado até que tenham um nível de excelência e qualidade inquestionáveis”, afirma o proprietário Leonardo Toledo.
A Roter produz atualmente 30 mil litros por mês, porém, há expectativa que retorne aos 50.000 litros mensais até o final de 2024, conforme dados de produção antes da pandemia. Como diferencial, possui grande preocupação quanto ao controle dos processos de produção, buscando o maior nível de qualidade possível dos produtos. A Roter é a primeira microcervejaria no Brasil, que possui um laboratório interno para análises microbiológicas e físico-químicas. Possuem um Biólogo na equipe, atuando no controle de qualidade, além de uma mestre cervejeiro formada nos EUA gerenciando a produção. A Roter possui uma linha com diferentes estilos e sabores, como a American IPA, American Red IPA, American Lager, American Pale Ale, Roter Weiss, Vienna Lager, Summer Ale, e Belgian Dubbel, Com base nas experiências dos mestres cervejeiros, surgem bebidas à base de cerveja, com a proposta de serem leves e refrescantes. A Sprint Radler, uma bebida derivada de cerveja, leve e cítrica, que contém suco de fruta, em dois sabores, Lemon Lager e Tangerin Weiss. O outro lançamento é a Red Ranch, uma Hard Seltzer, bebida diferente, produzida com um cuidadoso processo de fermentação utilizando levedura cervejeira, muito leve, zero adição de açúcar e sem conservantes, nos sabores maracujá com baunilha, mate com limão, e limão.
O mundo da cerveja é vasto e diversificado. O agronegócio está pulsando nesta cadeia, gerando oportunidades na produção de lúpulo, aumentando a oferta de emprego no campo para profissionais especializados, gerando oportunidades de investimento para aquele que quer montar uma microcervejaria etc. À medida que os cervejeiros exploram novas técnicas e ingredientes, a gama de sabores continua a expandir-se, proporcionando aos amantes da cerveja uma experiência verdadeiramente cativante.
Felipe Marinho Masid, Especialista em Gestão de Agronegócios pela UFRRJ
Administrador de Empresas, Gestor de Projetos, Gestor Público – Diretor Geral de Administração e Finanças da SEPLAG. Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão.








