Mercado global

Tarifaço ameaça café brasileiro; grupos se mobilizam para aliviar taxa

A Colômbia, segunda principal fornecedora dos EUA, segue isenta de tarifas, enquanto o Vietnã enfrenta uma alíquota de 20%

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Foto: Wenderson Araujo / Sistema CNA - Senar

A decisão dos Estados Unidos de elevar de 10% para 50% a tarifa de importação sobre o café brasileiro gerou forte repercussão no setor global da commodity. Segundo análise do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a medida impôs instabilidade nos preços tanto no mercado internacional quanto no doméstico, acirrando as preocupações quanto ao futuro das exportações do grão.

O Brasil é o maior exportador mundial de café arábica e origem de cerca de 25% das importações norte-americanas. Com a nova tarifa, o produto nacional passa a enfrentar uma barreira competitiva significativa, especialmente em comparação com concorrentes diretos. A Colômbia, segunda principal fornecedora dos EUA, segue isenta de tarifas, enquanto o Vietnã, maior exportador global de robusta, enfrenta uma alíquota de 20%.

Embora o Brasil tenha acesso a outros mercados consumidores e conte com uma indústria interna relevante, pesquisadores do Cepea alertam que redirecionar a produção brasileira em caso de recuo da demanda norte-americana não é tarefa simples. Isso se deve à expressiva influência da indústria de torrefação dos Estados Unidos, uma das mais dinâmicas do mundo.

Diante do novo cenário, o mercado aguarda possíveis desdobramentos nas negociações comerciais entre os dois países. Até lá, as oscilações nos preços devem continuar tanto no mercado externo quanto no interno, mantendo produtores e exportadores em estado de alerta.

Setor cafeeiro está negociando

Segundo apuração da Revista Exame, a National Coffee Association (NCA),entidade que representa a indústria de café dos Estados Unidos, deve retomar as negociações com o governo do republicano Donald Trump. O objetivo é evitar que o café brasileiro seja incluído na nova lista de produtos que podem sofrer aumento tarifário.

Segundo a publicação, a estratégia da NCA é reforçar que o café se enquadra como um produto natural não disponível em solo americano — o que justificaria sua exclusão da tarifa adicional. A entidade também pretende apresentar um estudo mostrando que o grão importado gera ampla riqueza no país, ao ser processado e transformado em produto final pela indústria local. Hoje, cerca de 76% da população dos Estados Unidos consome café regularmente.

Sobre o autor Fernanda Zandonadi Desde 2001, Fernanda Zandonadi atua como jornalista, destacando-se pelo alto profissionalismo e pela excelência na escrita de suas reportagens especiais. Tem um conhecimento aprofundado em agronegócio, cooperativismo e economia, com a habilidade de traduzir temas complexos em textos de grande impacto e relevância. Seu rigor e qualidade na apuração e narração de histórias do setor garantiram que seu trabalho fosse constantemente reconhecido pela crítica especializada, o que a levou a conquistar múltiplas distinções e reconhecimentos em premiações regionais e nacionais de jornalismo. Ver mais conteúdos