Nova geração!

Talento precoce: adolescentes se destacam no preparo de cafés especiais no Caparaó

Salomão Carmelito vence a competição aos 13 anos, enquanto a trajetória de Miguel revela como os adolescentes já dominam todas as etapas do café especial

Salomão e Miguel: histórias de jovens baristas marcam o Conexão Caparaó e apontam renovação no setor (Foto: divulgação)
Salomão e Miguel: histórias de jovens baristas marcam o Conexão Caparaó e apontam renovação no setor (Foto: divulgação)

O talento e a renovação da cafeicultura do Caparaó ganharam destaque durante o 8º Conexão Caparaó, realizado nos dias 16 e 17 de janeiro, em Pedra Menina, Dores do Rio Preto. Um dos momentos centrais do evento foi a 2ª Copa Conexão de Preparo de Café, vencida por Salomão Carmelito, de 13 anos, da Fazenda Carmelito, em Santa Margarida, no Caparaó.

Durante a entrevista, Salomão contou que o interesse pelo café começou ainda na infância, após acompanhar a mãe em um concurso de café da Stöckle, realizado em Lavras (MG). Na época, segundo ele, tinha entre quatro e cinco anos e se impressionou ao ver pessoas estrangeiras conversando em inglês. “Eu dizia: mãe, mãe, o que eles estão falando? E minha mãe não sabia, porque nunca fez nenhum curso, nunca fez nenhuma aula de inglês”, relatou.

No ano seguinte, quando tinha entre cinco e seis anos, a mãe o matriculou em um curso de inglês. Atualmente, Salomão afirma já conseguir se comunicar bem no idioma. “Hoje eu já consigo falar, progrediu bem o meu inglês”, disse.

O contato prático com o café também começou cedo. De acordo com o jovem, ele passou a fazer extração sozinho entre os oito e nove anos de idade. A participação em concursos faz parte de sua trajetória desde pequeno. Após a vitória, Salomão agradeceu pela conquista. “Em tudo dai graças”, declarou, citando Tessalonicenses 5:18.

Além de Salomão, outra história que ilustra a força da nova geração de baristas é a de Miguel Querubim Martins, relatada pelo pai, Nilton. Segundo ele, o filho começou a frequentar a cafeteria da família aos 11 anos, por iniciativa própria. “Um dia a gente estava sem funcionário e ele falou: mãe, deixa eu ir lá para a cafeteria ajudar alguma coisa”, contou.

No início, Miguel realizava tarefas simples, como devolver troco, organizar o espaço e auxiliar no atendimento. Aos poucos, passou a aprender outras atividades, como colar etiquetas nos pacotes de café, fazer amostragens e extrair café. “Foi aprendendo as coisas devagarzinho”, relatou o pai.

Após cerca de três anos de experiência, Miguel passou a participar de todas as etapas do processo produtivo. Segundo Nilton, ele atua na colheita, no pós-colheita, na torra (inclusive com noção técnica sobre como torrar café) e domina diferentes métodos de extração. “Hoje ele participa de todos os processos”, afirmou.

O pai também destacou a capacidade de Miguel no gerenciamento do salão da cafeteria. “Ele tem um poder de gerenciamento muito grande, sabe coordenar quem está trabalhando no salão, sabe o que está certo e o que está errado”, disse.

As trajetórias de Salomão e Miguel mostram o protagonismo de adolescentes no universo do café especial. Para comemorar tanto talento, os dois adolescentes se encontraram no domingo (18), após o Conexão Caparaó, na Cafeteria Vovô Nininho. Juntos, eles celebraram o momento vivido no café, marcado pelo protagonismo da nova geração de baristas da região.

O Conexão Caparaó, organizado pela Aprupem, com apoio da Prefeitura de Dores do Rio Preto, Incaper, cooperativas de crédito e outros parceiros, tem se consolidado como espaço de visibilidade para esses novos talentos.

A próxima edição do evento já tem data confirmada e será realizada nos dias 22 e 23 de janeiro de 2027, novamente em Pedra Menina.

Sobre o autor Fernanda Zandonadi Desde 2001, Fernanda Zandonadi atua como jornalista, destacando-se pelo alto profissionalismo e pela excelência na escrita de suas reportagens especiais. Tem um conhecimento aprofundado em agronegócio, cooperativismo e economia, com a habilidade de traduzir temas complexos em textos de grande impacto e relevância. Seu rigor e qualidade na apuração e narração de histórias do setor garantiram que seu trabalho fosse constantemente reconhecido pela crítica especializada, o que a levou a conquistar múltiplas distinções e reconhecimentos em premiações regionais e nacionais de jornalismo. Ver mais conteúdos