Clima e mão de obra

Dia Nacional do Café: os desafios e o futuro da cafeicultura no Brasil

Neste sábado, 24 de maio, é comemorado o Dia do Cafeicultor e o Dia Nacional do Café. Para celebrar essas datas, conversamos com o presidente da Cooperativa Agrária dos Cafeicultores de São Gabriel (Cooabriel), a maior cooperativa de café conilon do Brasil, Luiz Carlos Bastianello, sobre os desafios e o futuro da cafeicultura, a competitividade […]

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Foto: divulgação

Neste sábado, 24 de maio, é comemorado o Dia do Cafeicultor e o Dia Nacional do Café. Para celebrar essas datas, conversamos com o presidente da Cooperativa Agrária dos Cafeicultores de São Gabriel (Cooabriel), a maior cooperativa de café conilon do Brasil, Luiz Carlos Bastianello, sobre os desafios e o futuro da cafeicultura, a competitividade e as ações da cooperativa para atender às necessidades do setor.

Quanto aos desafios, Bastianello afirmou que “as questões climáticas e a falta de mão de obra são dois desafios que precisam ser repensados e trabalhados fortemente, em cadeia, para que a gente consiga, no mínimo, melhorar esses dois itens“.

Presidente da Cooabriel Luiz Carlos Bastianello (Foto: Cooabriel/divulgação)

Entre as ações para mitigar tais problemas, o presidente destacou a criação do setor de sustentabilidade, promovido pela Cooabriel, e a realização da Feira de Agronegócio.

A cooperativa possui um faturamento bruto de 2,57 bilhões de reais, sendo 2,03 bilhões provenientes do café, e conta com mais de oito mil cooperados no Espírito Santo e na Bahia.

Confira a entrevista na íntegra:

Conexão Safra: Quais são os desafios atuais da cafeicultura capixaba?

Luiz Carlos Bastianello: Temos dois grandes desafios. Um é a questão climática, que não está ao nosso alcance. É lógico que sabemos da importância das boas práticas, principalmente no que diz respeito à sustentabilidade. Mas não temos como controlar o clima. A mão de obra, essa sim, é uma situação latente e sempre nos deixa na expectativa e, às vezes, ansiosos, porque não sabemos se teremos realmente a mão de obra necessária para conduzir nossa atividade. Esses são dois grandes desafios que precisam ser repensados e trabalhados fortemente em cadeia para que consigamos, no mínimo, melhorar esses pontos. Quanto à mão de obra, a tendência é trabalhar pela mecanização e automação dos processos, para que possamos diminuir ao máximo possível a necessidade de mão de obra e continuar conduzindo nosso trabalho com eficiência.

Conexão Safra: Diante desses desafios que o senhor acabou de citar, que ações a cooperativa tem tomado?

Luiz Carlos Bastianello: Na cooperativa, temos um setor de sustentabilidade, específico para orientar os produtores quanto à condução de suas atividades. Nosso objetivo é orientar sobre a preservação do meio ambiente, seja na preservação ou formação de recursos hídricos, na preservação de matas ciliares nas áreas de nascentes, na retenção de águas para evitar a erosão. Enfim, temos realizado e orientado os produtores em diversas ações para que possam trabalhar e minimizar os impactos ao meio ambiente. Em relação à mão de obra, trabalhamos para que o cooperado compreenda a necessidade da mecanização, e a feira de agronegócio da Cooabriel é uma oportunidade para isso. Trazemos equipamentos de última geração, em boas condições, para que os produtores possam adquirir e assim diminuir a grande dificuldade que é a falta de mão de obra. Temos direcionado bastante energia a esses pontos.

Conexão Safra: O que podemos esperar da cafeicultura capixaba nos próximos anos?

Luiz Carlos Bastianello: Acredito que a cafeicultura capixaba já evoluiu bastante nos últimos anos e está no embalo para continuar evoluindo. Não podemos permitir que estagne, tanto na evolução da produtividade quanto na qualidade. Este último aspecto é uma necessidade que temos. Precisamos entender a evolução da qualidade do café, trabalhar essa qualidade e, ao mesmo tempo, manter a produtividade, para que possamos ter bons negócios e bons resultados na cafeicultura.

Conexão Safra: O que fazer para garantir a competitividade do café brasileiro e a remuneração dos produtores em meio aos desafios climáticos?

Luiz Carlos Bastianello: Acho que o principal fator para se tornar competitivo é produzir com custos mais baixos. Este é um ponto fundamental a ser observado. Estamos trabalhando com muito afinco na profissionalização e na necessidade de mecanização — dois itens que precisam ser priorizados pelo cafeicultor. Esse é o ponto-chave para a competitividade. Se você consegue produzir com um custo menor, certamente terá ganhos maiores também em um cenário de mercado, em condições de igualdade com outros produtores.

Conexão Safra: No dia do Cafeicultor, a que atribui a resiliência e a capacidade de se reinventar dos cafeicultores do Espírito Santo?

Luiz Carlos Bastianello: Eu considero a resiliência uma palavra bastante adequada para definir o cafeicultor. Ele tem buscado se reinventar, mudando conceitos, fazendo diferente e pensando fora da caixa. Podemos atribuir ao produtor essa visão de fazer mudanças e se reinventar. Mas o principal impulsionador dessas mudanças são as dificuldades. Na adversidade, o cafeicultor começa a refletir sobre a possibilidade de fazer melhor. Quando passa a pensar nisso, começa a encontrar soluções para os desafios que enfrenta. Acredito que o produtor tem buscado bastante isso, especialmente no caso do café conilon. Veja que o clima mudou. Onde se produzia café sem irrigação, hoje essa prática não é mais viável. Os produtores entenderam essa necessidade. Atualmente, dificilmente se produz ou a produtividade é tão baixa que não compensa continuar, especialmente sem uma boa nutrição das plantas. Portanto, se você começa a pensar em nutrição de plantas, combate a pragas e doenças e em viabilizar a produção mesmo em momentos de dificuldade climática ou escassez hídrica, esses são pontos relevantes. É importante destacar o pioneirismo do produtor de café do Espírito Santo. Ele é um guerreiro, que pensa fora da caixa e busca fazer melhor. Como não somos alienados, também precisamos refletir, inovar e melhorar continuamente — esse é o ponto-chave.

Sobre o autor Rosimeri Ronquetti Rosi Ronquetti é jornalista, formada em 2009 e pós-graduada em gestão em assessoria de comunicação. Repórter do agro, sua atuação se concentra na produção de reportagens do setor (incluindo perfis e histórias). Algumas de suas reportagens conquistaram premiações regionais e nacionais de jornalismo. Ver mais conteúdos