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Recorde de grãos: vitória do agro ou desafio à infraestrutura?

O Brasil está prestes a consolidar mais um marco histórico no agronegócio: a safra de grãos 2025/2026 pode atingir 354,7 milhões de toneladas, segundo projeção da Conab divulgada pelo Governo Federal em outubro. O número representa um crescimento de 0,8% em relação à safra anterior, que já havia alcançado resultados expressivos. A área plantada também […]

Foto: Sistema CNA/Senar

O Brasil está prestes a consolidar mais um marco histórico no agronegócio: a safra de grãos 2025/2026 pode atingir 354,7 milhões de toneladas, segundo projeção da Conab divulgada pelo Governo Federal em outubro. O número representa um crescimento de 0,8% em relação à safra anterior, que já havia alcançado resultados expressivos. A área plantada também deve aumentar, chegando a 84,4 milhões de hectares, evidenciando o vigor da agricultura nacional e a confiança dos produtores diante de um cenário global desafiador.

Entre as culturas que sustentam esse novo recorde, a soja se mantém como protagonista, com estimativa de 177,6 milhões de toneladas, enquanto o milho deve atingir cerca de 138,6 milhões de toneladas. Esses resultados consolidam o Brasil como um dos maiores produtores e exportadores globais de grãos, alimentos e bioenergia, fortalecendo a balança comercial e impulsionando a geração de divisas. Essa perspectiva é corroborada pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que, em seu relatório Grain & Feed Annual, confirma a tendência de crescimento contínuo e destaca o papel estratégico do Brasil no abastecimento mundial de grãos.

No entanto, a logística e a armazenagem permanecem entre os principais desafios estruturais do agronegócio brasileiro. A cada novo recorde de produção, a capacidade de estocagem do país é colocada à prova. O avanço acelerado das colheitas tem exposto gargalos que se estendem da conservação pós-colheita ao escoamento nos portos, comprometendo a eficiência e elevando os custos logísticos. Esse cenário reforça a urgência de investimentos consistentes em tecnologia, modernização da infraestrutura e inovação logística, pilares tão fundamentais para a competitividade do setor quanto o próprio desempenho no campo.

A questão ambiental também deve entrar em pauta. O aumento da área plantada levanta debates sobre sustentabilidade, uso racional de recursos hídricos e preservação de biomas. É fundamental que esse crescimento venha acompanhado de práticas agrícolas regenerativas e de políticas públicas voltadas à mitigação de impactos. O conceito de ESG no agronegócio ganha relevância ao conectar produtividade com responsabilidade socioambiental.

Portanto, mais do que celebrar o recorde, é necessário planejar estrategicamente o futuro do agronegócio brasileiro. O país tem capacidade técnica, científica e territorial para continuar liderando a produção global de grãos, mas precisa equilibrar crescimento econômico, sustentabilidade ambiental e infraestrutura eficiente. A safra 2025/2026 pode representar um símbolo de avanço — ou um alerta — sobre os limites e as transformações necessárias para manter o Brasil como potência agroalimentar sustentável nas próximas décadas.

*Paula Cristiane Oliveira Braz é administradora, especialista em Agronegócios e tutora dos cursos de pós-graduação na área de Agronegócios do Centro Universitário Internacional UNINTER.

Sobre o autor Paula Cristiane Oliveira Braz Paula Cristiane Oliveira Braz é administradora, especialista em Agronegócios e tutora dos cursos de pós-graduação na área de Agronegócios. Ver mais conteúdos