Anuário do Agronegócio Capixaba 2025

Agroturismo no Espírito Santo: oportunidade para transformar territórios

O agroturismo no Espírito Santo cresce como alternativa de renda, valorização cultural e desenvolvimento sustentável para comunidades rurais

O agroturismo vive um momento de expansão em todo o Brasil, e no Espírito Santo essa vocação se consolida como uma das mais promissoras estratégias de desenvolvimento econômico, social e territorial. A atuação do Sebrae/ES tem sido determinante para fortalecer essa agenda, ampliando oportunidades para produtores rurais, agricultores familiares, empreendedores e territórios emergentes. Importantes avanços regulatórios, novos projetos estruturantes e iniciativas de reposicionamento de destinos reforçaram a relevância do segmento no estado.

Um marco recente foi a publicação da Portaria nº 25 do Ministério do Turismo, que regulamenta a inclusão de produtores rurais e agricultores familiares no Cadastur, que é o sistema de cadastro oficial do Ministério do Turismo para prestadores de serviços turísticos no país. A mudança atende a uma demanda histórica de estados como o Espírito Santo, pioneiro no turismo rural e referência nacional em agroturismo organizado.

Com a nova regulamentação, empreendedores que oferecem experiências turísticas em suas propriedades podem se registrar no Cadastur sem perder benefícios fiscais ou previdenciários, garantindo segurança jurídica e novas possibilidades de formalização. Isso abrange hospedagem rural, alimentação com ingredientes da propriedade, vivências agrícolas, trilhas, visitas guiadas, comercialização local e diversas outras atividades.

O efeito esperado é significativo: maior visibilidade, acesso a políticas públicas, participação em feiras e eventos, linhas de financiamento com taxas diferenciadas e mais acesso à qualificação. Para um estado cuja Capital Nacional do Agroturismo – Venda Nova do Imigrante – inspira todo o país, o fortalecimento do Cadastur deve ampliar ainda mais a presença dos produtos capixabas no mercado nacional.

O Espírito Santo avança também na consolidação de produtos turísticos associados à agricultura. Na Semana Internacional do Café (SIC), em novembro, foi apresentada a marca Sustainable Coffee – Espírito Santo – Brazil, fruto de parceria entre Sebrae/ES e Secretaria da Agricultura (Seag). A iniciativa evidencia o compromisso da cafeicultura capixaba com práticas ambientalmente corretas, socialmente responsáveis e economicamente sustentáveis, reforçando a competitividade do café capixaba em mercados especializados.

No campo da vitivinicultura, outro movimento transformador está em curso com o lançamento do Projeto Vines. A iniciativa, desenvolvida pelo Sebrae/ES em parceria com o Senac, o Incaper e outros atores estratégicos, estimula o cultivo de uvas de inverno – Syrah, Cabernet Franc e Sauvignon Blanc – para a produção de vinhos finos.

Trata-se de um reposicionamento histórico. Como ressaltei no lançamento do projeto, estamos resgatando uma história de mais de 30 anos, quando o Espírito Santo iniciou o cultivo de uvas com o sonho de produzir vinhos. Hoje, com base em estudos da Embrapa e da Epamig, sabemos que é possível produzir uvas de inverno em regiões já zoneadas pelo Incaper, com manejo diferenciado, ideais para vinhos de alta qualidade.

O Sebrae entra com apoio técnico, modelagem de negócios e suporte para quem deseja implantar cantinas locais, fortalecendo o enoturismo e conectando essa produção às influências culturais das colônias italianas do estado. O vinho passa a ser experiência, identidade e oportunidade de renda.

Outro avanço importante é o Complexo Turístico, Ambiental e Cultural Fazenda Santa Maria, em Muniz Freire. A iniciativa, desenvolvida pelo Sebrae/ES em parceria com a Prefeitura, reposiciona o território como um polo emergente de turismo de experiência.

A Fazenda Santa Maria carrega camadas históricas profundas: desde a memória da escravidão até a imigração italiana e a evolução da cafeicultura. O projeto prevê usos culturais, educativos, ambientais e turísticos, integrando museu, espaços gastronômicos, áreas de vivência, trilhas, loja de produtos locais e ambientes dedicados à história do café.

O processo foi construído com participação intensa da comunidade, garantindo que as soluções reflitam a identidade local. O resultado é um modelo replicável para outros patrimônios rurais capixabas.

Enquanto as Montanhas Capixabas e o Caparaó se consolidaram como referências no turismo rural, impulsionadas por governança forte, articulação público-privada e produtos bem estruturados, outras regiões ainda enfrentam barreiras importantes: acessos limitados, sinalização insuficiente e carência de serviços básicos; necessidade de formação profissional orientada à hospitalidade, experiência turística e comercialização digital; fragilidade de governança local e ausência de roteiros integrados e baixa presença em canais de comercialização, com pouca formalização

Esses fatores explicam a menor tração turística desses territórios. A resposta do Sebrae/ES tem sido atuar de forma combinada: governança, qualificação, fomento, projetos estruturantes e fortalecimento de produtos de experiência com destaque para regiões como Pancas e Ibiraçu, que já estão atraindo o interesse de investidores.

Os avanços mostram que, quando há governança, integração de esforços e visão compartilhada, o turismo rural se converte em vetor de desenvolvimento rápido. A cada ano, vemos produtores assumindo protagonismo, novos destinos surgindo e o Espírito Santo avançando na agenda do turismo de experiência.

O Sebrae/ES segue comprometido em apoiar essa transformação, sempre com o olhar voltado ao desenvolvimento regional, à inovação e ao futuro do campo capixaba.

Sobre o autor Pedro Rigo Superintendente do Sebrae/ES Ver mais conteúdos