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Anuário 2021

Tomate: produção constante e preço alto

por Fernanda Zandonadi

em 07/03/2022 às 8h43

3 min de leitura

Tomate: produção constante e preço alto

Foto: Leandro Fidelis

O tomate mostrou constância na produção, área plantada e rendimento nos últimos anos no Espírito Santo. Em 2020, 149,3 mil toneladas da hortaliça saíram dos 2,5 mil hectares plantados no Estado, um rendimento médio de 57,4 mil quilos por hectare.  Os maiores produtores capixabas são Domingos Martins, responsável por 12,72% da produção que vai para o mercado, Muniz Freire (11,65%), Santa Maria de Jetibá (11,05%) e Alfredo Chaves (9,61%). 

O pesquisador do Incaper, Helcio Costa, avalia que em 2021 a produção foi semelhante a 2020. “O tomate está muito adaptado ao Espírito Santo; nossa produtividade é uma das mais altas. Mas os insumos subiram muito. O adubo teve uma alta de uns 200%. Já os defensivos, dobraram de preço. Neste ano, felizmente, o preço foi bom e os produtores estão animados por isso”. 

O preço é mesmo o melhor termômetro da produção. De acordo com o pesquisador aposentado, José Mauro de Sousa Balbino, no primeiro semestre de 2021, os valores do tomate, no atacado, ficaram cerca 15% abaixo de 2020, sendo que apenas nos meses de fevereiro e junho os valores médios superaram os de 2020. 

“Mas essa queda foi compensada com os melhores preços pagos no segundo semestre de 2021, cerca de 30% acima, em relação ao segundo semestre de 2020, fechando com um acréscimo próximo de 10% no valor comercializado durante todo o ano. O maior preço médio do ano de 2021, verificado em outubro, foi de mais de 45% em relação ao mesmo período do ano anterior”, explica. 

Ele avalia que, embora o clima não tenha sido, no Estado, muito diferente de 2020, a alta dos preços foi impulsionada pela geada no Sul de Minas Gerais, que prejudicou lavouras e provocou alguns replantios. “Já em outras regiões, a escassez hídrica foi indicada por agricultores como fator de queda na produtividade, consequentemente na oferta, contribuindo para a elevação dos preços”.

Para 2022, salienta, a tendência é de que não haja alterações na área de produção do tomate, que deve se manter aos 2,6 mil hectares. “Mas não se pode descartar algumas incertezas que poderão mudar essa percepção ao longo da safra. Uma delas é a demanda por insumos importados, principalmente a matéria-prima de fertilizantes e defensivos. Isso leva a crer que os custos para produção do tomate tendem a subir, forçados pelo valor do dólar”. 

Além disso, avalia Balbino, há uma tendência de redução da produção, por parte das indústrias, desses insumos. Alguns países também são priorizados na hora da entrega. “E se o Brasil não estiver dentro dessas prioridades pode-se ter um aumento dos custos da produção agrícola de modo geral. Essa tendência aponta para um fator que pode ser crucial para manter as médias de preços do tomate, no atacado, acima do verificado no ano de 2021”.