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“Piscicultura do Vale”, piscicultura de ponta

por Rosimeri Ronquetti

em 06/04/2022 às 11h19

3 min de leitura

“Piscicultura do Vale”, piscicultura de ponta

Foto: divulgação

A piscicultura capixaba produziu em 2020 cerca de 3.975.00 kg de peixe, 98,98% deste total só de tilápia. Um percentual de 47,79% de toda produção estadual, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é oriunda das lagoas de Linhares, no Norte do Estado. 

Agora essa realidade começa a mudar. A implantação do primeiro complexo de produção de peixes ambientalmente sustentável deve tornar a região referência nacional no ramo. Instalado em uma área de 200 mil m², o complexo está sendo construído no Córrego Varjão, município de Rio Bananal, na divisa com Linhares. 

Piscicultor desde 2008, Antonio Roberte Bourguignon está migrando da criação de tilápias em tanque rede para o sistema de tanques escavados. Antes de dar início ao projeto, ele buscou informações sobre esse tipo de manejo no Paraná. 

“A piscicultura surgiu dos tanques escavados, no Paraná, que é o berço da piscicultura.  No passado fizeram aproveitamento dos resíduos das granjas suínas. Depois, devido a questões ambientais, isso foi deixando de existir e começaram a criar tanques próprios para piscicultura. Hoje é uma tecnologia sem volta, tudo automatizado, tudo monitorado artificialmente”, explica Bourguignon.  

Iniciado há um ano e meio, a previsão é de um investimento total de R$ 10 milhões. A expectativa é que ainda no primeiro semestre de 2022 a obra seja concluída. Antonio diz que a partir do momento em que colocar os alevinos, com cerca de 2 g, dentro de seis ou sete meses já estará retirando o primeiro lote. Daí por diante não para mais, três ou quatro vezes por semana será feita a retirada de peixe em ponto de abate. A produção mensal deverá ficar em torno de 100 a 110 toneladas. 

100% automatizado

Denominado “Piscicultura do Vale”, o projeto é único no Espírito Santo em termos de modernidade e automação. “Podemos dizer que nosso projeto é único no Brasil em questão de sustentabilidade, diante da tecnologia implantada e do retorno da água usada para produção dos peixes para o corpo hídrico. Seremos referência nesse modelo no Estado. O único todo automatizado, com a qualidade da água medida através de sondas, sistema de abastecimento por meio de silo individual para cada tanque, conversão alimentar melhor do que nos tanques redes e controle de variação da temperatura da água”, salienta Antonio Bourguignon. 

O plano do piscicultor para o futuro é tornar o complexo totalmente sustentável, fazendo o aproveitamento da água, depois de passar pelos tanques, na irrigação de culturas como café, coco e banana, fechando assim o ciclo de aproveitamento da água. 

 

Negócio rentável

Segundo Antonio, para ter perda com a produção em tanques escavados é preciso deixar de seguir os protocolos. Do contrário, o retorno é garantido. Para ele, a rentabilidade da piscicultura é o melhor dentre todas as culturas produzidas no Norte do estado. 

 “Nenhuma delas tem o retorno financeiro igual à piscicultura. Um cafeicultor para ser bom precisa produzir oitenta sacas por hectare por quatro ou cinco anos. Se você pegar o valor da saca de café e multiplica pelo mercado de hoje, estamos falando de sessenta mil reais. Se você consegue chegar a cento e cinquenta mil quilos de tilápia no hectariado, estamos falando em um milhão e duzentos mil reais. E nesse segmento escavado, para ter perda de produção, precisa deixar de seguir muitos protocolos. Se seguir os protocolos de segurança, a gente dificilmente vai ter prejuízo”.