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Anuário 2021

Abacaxi: preços bons, mas insumos caros

por Fernanda Zandonadi

em 02/03/2022 às 7h02

2 min de leitura

Abacaxi: preços bons, mas insumos caros

Foto: divulgação

O ano de 2021 ainda carrega algumas incógnitas para o abacaxi. O lado bom para os produtores foi exatamente o preço. Nunca a fruta – ou infrutescência – teve um valor tão alto no mercado. Por outro lado, subiram também os custos de produção. O clima não ajudou e trouxe um frio persistente. Péssima notícia para uma cultura que produz melhor em períodos mais mornos. 

Marataízes continua na posição de maior produtor do Espírito Santo, respondendo por quase 60% do mercado.

 Apesar do rendimento dentro da média, de 18,8 mil frutos por hectare, naturalmente com menos terras plantadas, a produção caiu e se firmou nos 42,1 milhões de frutos que saíram das lavouras capixabas, bem abaixo das mais de 50 milhões de peças colhidas em 2019. 

E essa baixa deve persistir. “Em 2021, a produção foi ainda menor. Com o clima mais frio, muitas plantas não cresceram direito e os frutos que ficaram com bom padrão muitas vezes não conseguiram cobrir os custos. Então, a tendência é de queda na produção. Em 2020 por redução de área e, em 2021, por conta do clima”, avalia Antônio Carlos Franco, extensionista do Incaper em Marataízes.

Mas o mercado do rei das frutas é uma gangorra sem fim. Menos frutos no mercado significa, normalmente, preços mais altos. “Então, em 2022, poderemos ter aumento de área plantada, até porque, em 2021, os preços ficaram fora do normal. Não me recordo de nenhum outro período de preços tão altos. O custo de produção aumentou, por conta de defensivos e fertilizantes, em quase 40%. Mas mesmo assim o preço ficou bom”. 

Daí surge mais um “xis” nessa equação. Se o preço dos insumos permanecer alto e, com vista no aumento de preço do fruto, mais produtores investirem em produção, talvez a conta não feche, ao menos, não no azul. 

“Nossa previsão é de preço de adubo elevado e, como falamos em produtores muito pequenos, que não fazem volume de compras em cooperativas estabelecidas, eles não conseguem negociar tanto o preço. Essa é uma questão. E muitos produtores fazem valer as linhas de crédito rural para o plantio. Com as incertezas do valor dos defensivos e fertilizantes, resta saber se essas linhas vão cobrir efetivamente o custo de produção. Quer dizer, pode ocorrer uma assimetria entre o que é liberado e o custo real. A linha é boa, tem juros bons, mas pode não acompanhar o custo”, avalia Franco.