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Anuário 2020

O cacau capixaba revive a pleno sol

O principal produtor capixaba é, de longe, Linhares, que respondeu por 73,9% do que foi posto no mercado, seguido de Rio Bananal (4,62%) e São Mateus (4,16%)

por Fernanda Zandonadi

em 26/03/2021 às 9h29

3 min de leitura

A produção de cacau no Espírito Santo apresentou uma leve alta em 2020 e chegou às 11.283 toneladas. Com uma área colhida de 17.187 hectares, o rendimento médio da planta foi de 656 kg por hectare. O principal produtor capixaba é, de longe, Linhares, que respondeu por 73,9% do que foi posto no mercado, seguido de Rio Bananal (4,62%) e São Mateus (4,16%).

Produtividade da planta a pleno sol é maior e o manejo da lavoura, facilitado (Foto: Leandro Fidelis)

Linhares se manteve firme na produção, mesmo passando por muitos reveses ao longo dos anos. A terra do cacau quase perdeu o posto para a doença conhecida como vassoura de bruxa, um fungo que dizimou as lavouras no início dos anos 2000. O município, que chegou a produzir 14 mil toneladas da amêndoa por ano, viu essa produção despencar. Em 2014, por exemplo, foram colhidos pouco mais de 4,3 toneladas. Com as lavouras devastadas, muitos produtores venderam as propriedades, outros abandonaram e alguns enfrentaram o desafio de recomeçar. Mais que isso, de se reinventar. A natureza comemorou a resiliência e a produtividade voltou a crescer.

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O presidente da Associação dos Cacauicultores do Espírito Santo (Acau), Mauro Rossoni Junior, diz que Linhares cresce positivamente, tanto numericamente, quanto em modernização dos plantios e qualidade das amêndoas. “Linhares vem crescendo em uma vertente muito positiva. Após todos os problemas que tivemos com a vassoura de bruxa e os períodos de seca, os agricultores entenderam que é preciso fazer uma produção moderna, com irrigação, mudas de qualidade e vários outros pontos, inclusive para produzir com qualidade. Linhares está se tornando referência no cenário nacional e internacional com os prêmios de qualidade que vem ganhando. As expectativas são muito boas ”, garante Rossoni.

Um exemplo é a produção de cacau a pleno sol, modelo de plantio adotado fora da região de Mata Atlântica após o aparecimento da vassoura de bruxa. Em 2011, o empresário e pecuarista Vanderlei Ceolin, que já produzia cacau na região do Baixo Rio Doce no sistema de cabruca, resolveu transformar a Fazenda Três Lagoas, tradicionalmente voltada para pecuária, em produtora de cacau plantado a pleno sol.

“Vanderlei entendeu, após várias pesquisas, que o futuro do cacau passa pelo cacau a pleno sol. A maior diferença é a produtividade por planta. O cacau a pleno sol produz mais. Outra diferença significativa é o manejo da lavoura, principalmente pela possibilidade de maior mecanização dos processos. A pulverização das plantas por exemplo, e a implantação de irrigação ficam prejudicadas no sistema de cabruca pela complexidade que é trabalhar embaixo da mata ”, comenta Haroldo D’el Rey, diretor do Grupo MVC, do qual a Fazenda Três Lagoas faz parte.

*Leia também:Família capixaba produz 18 produtos diferentes a partir do cacau

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