Anuário 2020

Mesmo com intempéries, o tomate reina no Espírito Santo

Produtores estão buscando novas opções para incrementar mais o molho de tomate e a salada dos capixabas

por Fernanda Zandonadi

em 16/03/2021 às 11h27

3 min de leitura

Mesmo com intempéries, o tomate reina no Espírito Santo

Com as chuvas que assolaram o Espírito Santo em janeiro, a produção de tomate foi diretamente impactada. As intempéries foram responsáveis por parte na queda da produção, que caiu para 150,9 mil toneladas, abaixo das 163,9 mil toneladas de 2019. A área colhida em um ano e outro foi praticamente a mesma (2.583 hectares em 2019 contra 2.605 hectares no ano seguinte), mas a produtividade não foi tão alta: 57.942 kg por hectare em 2020 contra 63.470 kg do ano anterior.

Mesmo com os preços mais altos em alguns meses &ndash, ocorreram várias oscilações durante o ano, muitas por conta da sazonalidade &ndash, nem sempre o bolso do produtor teve o lucro esperado. “Tivemos uma alta nos insumos na casa dos 20%. O produtor está desanimado sim, mas ainda está tentando plantar ”, explica Vanderlei Cesconetti, produtor, presidente da Associação dos Produtores de Tomate das Montanhas Capixabas e um dos diretores da Comissão Nacional de Tomate de Mesa junto ao Instituto Brasileiro de Horticultura (Ibrahort).

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Essa alta, segundo o pesquisador do Incaper, Hélcio Costa, pode fazer com que os pequenos produtores busquem outras culturas para as próximas safras. “A área plantada, para 2021, pode ter uma redução. Os insumos estão caros, especialmente o adubo ”, avalia.

Mas certamente o produtor de tomate não vai entregar a lavoura. Plantação tradicional no solo capixaba, o Estado já chegou a produzir mais de 188 mil toneladas do fruto no ano de 2014. De lá pra cá, a melhor safra foi em 2018, com 175 mil toneladas do produto saindo das lavouras. Os municípios mais representativos no cultivo são: Afonso Cláudio, que responde por 15,66% da produção, Domingos Martins (11,59%), Muniz Freire (10,7%) e Santa Maria de Jetibá (10,06%).

Tomate na estufa

Os produtores estão buscando novas opções para incrementar mais o molho de tomate e a salada dos capixabas. O cultivo em estufas, ainda tímido, vem se mostrando uma nova opção para quem quer investir na cultura. A maior proteção e climatização em um ambiente controlado faz com que os frutos sejam mais uniformes, o que é bastante apreciado no mercado.

“Alguns produtores têm feito plantio em estufas mas, perante o total produzido no Estado, ainda é uma área de plantação muito pequena. Há viabilidade nessa forma de cultivo, mas para um tomate diferenciado, um grape, cereja, tomate de penca, tomate amarelo. Para o tomate de mesa, não é muito viável ”, explica Cesconetti.

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