Mais lidas 🔥

Mudanças chegando!
Fenômeno El Niño pode se formar no inverno de 2026; saiba como ficará o clima no Brasil

Tempo severo
Espírito Santo tem 45 cidades em alerta máximo para chuvas fortes; veja a lista

Temporal e prejuízos
Produtores de Linhares e Sooretama tentam salvar lavouras após fortes chuvas

La Niña está acabando? O que mostram os sinais ocultos no Pacífico para 2026

Capacitação no agro
Como o cacau pode render muito além do chocolate

Pesquisadores brasileiros desenvolveram uma metodologia capaz de mapear, por meio de sensoriamento remoto, os impactos de geadas em lavouras de milho, contribuindo para a redução da exposição a riscos climáticos e da incerteza quanto às perdas agrícolas. O modelo permite a personalização de variáveis, o que amplia seu potencial de aplicação para outras culturas e diferentes contextos agrícolas.
A ferramenta pode orientar estimativas mais precisas durante as safras e auxiliar a formulação de políticas públicas voltadas ao apoio das cadeias produtivas, além de dar suporte a sistemas de seguro rural. O estudo ganha relevância em um cenário no qual a produção mundial de grãos — especialmente arroz, milho, trigo e soja — está concentrada em poucos países, como China, Estados Unidos, Índia, Brasil e Argentina, tornando o mercado sensível a oscilações de safra.
Além disso, eventos climáticos extremos, como secas severas, chuvas intensas e geadas mais frequentes, têm afetado essas culturas, levando o tema dos sistemas agroalimentares a fóruns internacionais de negociação, como a COP30, realizada em Belém (PA).
Importância do setor
No trabalho, os cientistas mapearam mais de 700 mil hectares de milho da segunda safra na mesorregião oeste do Paraná, nos municípios de Toledo e Cascavel, para identificar danos provocados por geadas registradas entre maio e junho de 2021, consideradas severas.
Foram integrados dados de sensoriamento remoto óptico, obtidos pelo sensor MultiSpectral Instrument a bordo dos satélites da missão Sentinel-2, a técnicas de aprendizado de máquina, com uso do algoritmo Random Forest. O método alcançou 96% de acerto no mapeamento das lavouras e indicou que cerca de 70% das áreas analisadas foram prejudicadas pelas geadas no período. A metodologia foi denominada GEEadas e permitiu a identificação espacial precisa das áreas afetadas.
Os resultados foram publicados na edição de dezembro da revista Remote Sensing Applications: Society and Environment.
“Em 2021, tivemos uma seca que atrasou o plantio da soja no Paraná e, por consequência, o do milho. Depois, em junho, veio a geada. Essa região costuma registrar bons índices de chuva, mas o clima nos últimos anos não está dentro da normalidade”, afirma Marcos Adami, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e um dos autores do estudo. Segundo ele, quebras de safra na região afetam diretamente a população local, fortemente dependente da agroindústria.
Adami desenvolve a pesquisa em parceria com Michel Eustáquio Dantas Chaves, professor da Universidade Estadual Paulista e primeiro autor do artigo, que contou com apoio da FAPESP.
“Eventos extremos, como geadas, geram impactos sociais, econômicos e ambientais. Nesses casos, é fundamental identificar quanto da lavoura foi afetada para informar produtores, bancos e órgãos institucionais. O método traz precisão e reduz incertezas”, explica Chaves.
Importância do setor
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística indicam que a safra nacional de cereais, leguminosas e oleaginosas atingiu 345,6 milhões de toneladas em 2025, volume 18% superior ao de 2024 e recorde da série histórica. Arroz, milho e soja respondem por 93% da produção estimada e 88% da área colhida.
O Paraná é o segundo maior produtor de grãos do país, atrás apenas de Mato Grosso. A produção de milho em 2025 foi estimada em 141,6 milhões de toneladas, também recorde. Segundo o estudo, na safra 2019/2020 a produção era de cerca de 103 milhões de toneladas, com aproximadamente 75% do volume vindo da segunda safra, mais exposta a riscos climáticos como a ocorrência de geadas.
Para validar a metodologia, os pesquisadores compararam os resultados do mapeamento com dados oficiais da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento e com informações de seguradoras. “O sensoriamento remoto complementa o trabalho de campo, ampliando a visão espacial das áreas afetadas”, afirma Chaves.
Adami também destaca que está em desenvolvimento um trabalho conjunto com a Companhia Nacional de Abastecimento nos estados do Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo, com o objetivo de aprimorar metodologias e tornar as estimativas de safra cada vez mais precisas.





