Saúde animal

Como o Espírito Santo se preparou para operar sem vacina contra a febre aftosa

A liderança que protegeu o rebanho capixaba: a trajetória de Neuzedino de Assis e Antônio Carlos Souza à frente do FEPSA-ES

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Foto: divulgação

Quando o Espírito Santo consolidou sua participação no desafio histórico de retirar a vacinação contra a febre aftosa e, ainda assim, manter a segurança sanitária do rebanho, um trabalho silencioso, técnico e persistente havia sido construído ao longo de anos. Nesse percurso, dois nomes se tornaram referência na gestão sanitária animal capixaba: Neuzedino de Assis e Antônio Carlos Souza, lideranças que estiveram à frente do Fepsa – Fundo Emergencial de Promoção da Saúde Animal do Espírito Santo.

Sua atuação conjunta, marcada pela eficiência, diálogo com o setor produtivo e capacidade estratégica, ajudou a transformar o Fepsa em um dos pilares da defesa agropecuária no estado. E, sobretudo, contribuiu de forma decisiva para que o Espírito Santo estivesse preparado para um dos movimentos mais desafiadores da pecuária nacional: operar sem vacinação contra a febre aftosa, mantendo a confiança dos mercados e a segurança dos rebanhos.

A missão de proteger o patrimônio pecuário

Criado para garantir recursos emergenciais e preventivos à defesa sanitária animal, o FEPSA ganhou novo ritmo e maior alcance sob a gestão de Neuzedino e, posteriormente, com a continuidade técnica e administrativa conduzida por Antônio Carlos.

Os dois assumiram o compromisso de modernizar processos, fortalecer os mecanismos de resposta rápida e ampliar a confiança do produtor rural no fundo — uma condição essencial para sustentar qualquer avanço sanitário. A dupla atuou lado a lado com técnicos, produtores, entidades e o serviço veterinário oficial, construindo um ambiente de cooperação que se tornaria marca do Fepsa.

O desafio da aftosa: preparar o Espírito Santo para uma nova era

A retirada da vacinação contra a febre aftosa no Brasil só se tornou possível porque estados como o Espírito Santo demonstraram maturidade sanitária, rastreabilidade confiável e capacidade de resposta. E nesse ponto, o FEPSA teve papel central.

Sob a liderança de Neuzedino e Antônio Carlos, o fundo assegurou recursos imediatos para ações de vigilância ativa e passiva; fortaleceu a infraestrutura de defesa agropecuária; investiu em capacitação de equipes técnicas; financiou materiais, exames, equipamentos e protocolos de biossegurança; apoiou campanhas de comunicação e conscientização junto aos produtores e garantiu a agilidade necessária em situações de suspeita, investigação ou emergência sanitária.

Esse conjunto de ações permitiu que o Espírito Santo se mantivesse firme na transição para a nova condição sanitária, agora sem vacinação contra a febre aftosa — um passo que exige confiança técnica, rigor científico e estrutura sólida.

Gestão, diálogo e credibilidade

Tanto Neuzedino quanto Antônio Carlos se destacaram pela condução transparente e participativa do Fepsa. Eles ampliaram as parcerias com cooperativas, sindicatos, associações e entidades representativas, reforçando o entendimento de que a defesa sanitária é um compromisso coletivo.

A credibilidade do Fepsa cresceu junto com o nível de organização da pecuária capixaba. E isso fez diferença no momento em que o Brasil buscou o status internacional de livre de febre aftosa sem vacinação.

Foto: divulgação

Legado: um Espírito Santo mais protegido, competitivo e preparado

A trajetória de Neuzedino e Antônio Carlos no Fepsa não é apenas uma história de gestão. É uma narrativa sobre proteção ao produtor rural, segurança econômica e visão de futuro para o agronegócio capixaba.

O legado deixado por ambos se traduz em um fundo mais robusto e confiável; um sistema de vigilância melhor estruturado; uma relação de confiança com o setor produtivo e a garantia de que o Espírito Santo está preparado para enfrentar qualquer desafio sanitário.

Num período em que a sanidade animal se tornou fator estratégico para acesso a mercados e sustentabilidade da pecuária, a atuação dos dois gestores foi decisiva para que o estado pudesse avançar com segurança.

Ao campo capixaba, um resultado: confiança

Hoje, o Espírito Santo colhe os frutos dessa trajetória. A condição de livre de febre aftosa sem vacinação traz novas oportunidades comerciais, amplia mercados e fortalece o posicionamento da pecuária local.

Parte desse avanço se deve ao trabalho incansável de quem esteve no comando do FEPSA em momentos decisivos. Neuzedino e Antônio Carlos deixaram sua marca na história sanitária do estado — uma marca de responsabilidade, dedicação e compromisso com quem vive da pecuária.

Reconhecimento internacional: Espírito Santo é livre de febre aftosa sem vacinação

A Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) reconheceu, em maio de 2025, em Paris, na França, todo o território brasileiro como livre de febre aftosa sem vacinação. A conquista assinala mais uma etapa fundamental na execução do Plano Estratégico do Programa Nacional de Vigilância para a Febre Aftosa (PNEFA),

Para o presidente do Fepsa-ES, Neuzedino de Assis, a participação do setor privado e das entidades representativas foi fundamental. “A agilidade nas ações emergenciais e a expertise técnica sempre foram fundamentais para o Fundo, e vale destacar a atuação do médico-veterinário Antônio Carlos Souza, cuja dedicação de mais de cinquenta anos no combate à aftosa, evidencia o compromisso com a excelência nesse trabalho. Tenho orgulho de ter participado de todo o processo para essa conquista, com a contribuição essencial das outras instituições ligadas ao setor e dos gestores anteriores que conduziram tanto a implementação quanto a gestão do Fepsa-ES”, explicou Assis.

Entenda a trajetória no Espírito Santo

1971 – Criação do Grupo Executivo de Combate à Febre Aftosa (Gecofa)

1974 – Criação da Empresa Espírito Santense de Pecuária (Emespe)

1996 – Estruturação do Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Espírito Santo (Idaf)

2022 – Último ano com campanha de vacinação

2025 – Reconhecimento internacional de livre de febre aftosa sem vacinação