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A queda acentuada no preço do cacau pago ao produtor, atribuída ao aumento das importações de amêndoas africanas, levou produtores do Espírito Santo a se mobilizarem contra normas federais que flexibilizaram a entrada do produto no país.
“Os preços pagos ao produtor em fevereiro de 2025 eram de cerca de R$ 3,5 mil a saca. Atualmente, o preço está abaixo de R$ 1 mil, o que não cobre os custos de produção e gera prejuízo aos produtores. As importações cresceram muito ao longo de 2025. Foi uma alta de 64%, mais de 42 mil toneladas importadas, por isso a queda de preço”, afirmou o secretário de Agricultura do Espírito Santo, Enio Bergoli.
Segundo ele, o Governo do Espírito Santo, em articulação com instituições e o setor produtivo, reivindica junto ao Governo Federal a revisão de dois instrumentos centrais. Um deles é uma instrução normativa editada em 2021, que flexibilizou as regras de importação, principalmente de cacau proveniente da Costa do Marfim. O outro é a política de drawback, que permite à indústria importar cacau de diversas origens. A proposta defendida é que essas importações ocorram apenas por meio de cotas e restritas ao período de entressafra da produção brasileira.
No campo, produtores relatam deságio no preço da amêndoa, insegurança sanitária e incertezas quanto à sustentabilidade da atividade. O setor avalia que a importação de cacau africano sem exigências equivalentes às impostas ao produtor brasileiro configura concorrência desleal, amplia riscos fitossanitários e compromete a renda de quem produz no país. A principal crítica recai sobre a Instrução Normativa nº 125, que passou a permitir a entrada de amêndoas sem requisitos sanitários antes obrigatórios.
Diante desse cenário, produtores de cacau se mobilizam em Linhares para chamar a atenção das autoridades e da sociedade. Uma manifestação pacífica está marcada para este sábado (7), a partir das 8h, no trevo da MVC Veículos. O ato integra um movimento nacional em defesa da cacauicultura e reúne produtores preocupados com os rumos da cadeia produtiva.
Entre as reivindicações estão a revisão da IN125, a definição de regras claras para a formação de preços, a garantia de remuneração que cubra os custos de produção, a criação de uma janela de importação limitada ao período de entressafra e a exigência de critérios sanitários equivalentes aos cobrados da produção nacional. Os manifestantes também defendem a proteção da agricultura brasileira, do meio ambiente e da dignidade no campo.
O tema também foi debatido em reunião realizada na terça-feira (3) pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Espírito Santo, que reuniu produtores, lideranças e entidades representativas do setor. O encontro tratou dos impactos econômicos e sanitários da importação de cacau africano e dos riscos associados à flexibilização das normas.
As entidades se posicionaram contra a entrada de amêndoas sem exigências equivalentes às aplicadas no Brasil e alertaram para o risco de introdução de pragas inexistentes no país, com potencial de comprometer lavouras de cacau e outras culturas agrícolas. Foi deliberada a elaboração de um ofício conjunto a ser encaminhado ao governo estadual, solicitando a reconstituição da Câmara Setorial Estadual da Cadeia Produtiva do Cacau, com o objetivo de ampliar o diálogo institucional e construir um plano de ação para proteger a produção nacional.




