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Um feixe de luz pode ser decisivo para evitar que toneladas de goiabas se percam após a colheita. Um estudo brasileiro mostrou que a aplicação de luz UV-C modulada (emitida em pulsos controlados, e não de forma contínua) é capaz de combater a antracnose, principal doença fúngica que atinge a fruta no período pós-colheita e reduz drasticamente seu tempo de prateleira.
A antracnose é causada por fungos do complexo Colletotrichum gloeosporioides e se manifesta por manchas escuras na casca, que tornam a fruta imprópria para o consumo. Em países em desenvolvimento, as perdas associadas à doença e a falhas no manejo pós-colheita podem chegar a 40% da produção total de goiabas.
Hoje, o controle desse tipo de patógeno é feito, em grande parte, com fungicidas químicos aplicados logo após a colheita. Apesar da eficácia, o método deixa resíduos e levanta preocupações ambientais e de saúde. Foi justamente esse cenário que motivou a busca por uma alternativa mais segura.
A pesquisa, desenvolvida por cientistas da Embrapa com apoio da FAPESP, testou o uso da luz UV-C modulada como tecnologia limpa para o tratamento pós-colheita. Os resultados foram publicados na revista científica Horticulturae.
Como funciona a tecnologia
O sistema desenvolvido utiliza um equipamento cilíndrico com três lâmpadas germicidas de UV-C e um espelho interno. As lâmpadas são posicionadas de forma estratégica para que a fruta receba a máxima quantidade de radiação possível, sem exposição excessiva. A luz atinge a superfície da goiaba, é absorvida e convertida em calor, o que inativa os microrganismos responsáveis pela doença.
Segundo o agrônomo Daniel Terao, pesquisador da Embrapa e um dos autores do estudo, o diferencial está no controle preciso da exposição. “A emissão modulada permite reduzir danos à casca da fruta e, ao mesmo tempo, potencializar seus mecanismos naturais de defesa. A própria goiaba passa a reagir melhor ao ataque de fungos”, explica.
Menos química, mais vida útil
Além de controlar a antracnose, o tratamento não deixa resíduos químicos, o que preserva a qualidade do alimento e reduz riscos à saúde humana e ao meio ambiente. O estudo mostrou que as goiabas tratadas apresentaram maior vida útil e melhor conservação durante o armazenamento.
Por enquanto, os testes foram realizados em ambiente de laboratório. A próxima etapa da pesquisa é levar a tecnologia para condições reais de produção, adaptando o equipamento às linhas de beneficiamento e processamento de frutas.
Se os resultados se confirmarem no campo, a luz UV-C modulada pode se tornar uma aliada importante da fruticultura, ajudando a reduzir perdas, ampliar a oferta de alimentos e tornar o pós-colheita mais sustentável.




