Coffee of the Year

Como pai e filha transformaram tradição familiar em café de excelência

Família da Fazenda São Bento conquista dois lugares no pódio do Coffee of the Year 2025 e simboliza a força da cafeicultura capixaba

Foto: Acervo da família
Antes de conquistar prêmios e reconhecimento nacional, o café da Fazenda São Bento, em Santa Teresa, já carregava em cada lote a força de uma história familiar que atravessa  gerações. Foi nesse mesmo chão, onde avós, pais e filhas passaram grande parte da vida, que nasceu o café especial produzido por Luis Carlos da Silva Gomes e por sua filha, Carolinna Bridi Gomes, hoje reconhecido entre os melhores do Espírito Santo.

A trajetória ganhou ainda mais projeção após a família vencer o Coffee of the Year (COY) 2025, uma coroação ao trabalho que há anos mobiliza a família na busca por um conilon cada vez mais sofisticado, sustentável e tecnicamente consistente. Mais do que um troféu, o reconhecimento celebra uma forma de produzir café que tem as raízes fincadas na história familiar.

Premiação durante a Semana Internacional do Café, em Belo Horizonte (MG)
Premiação durante a Semana Internacional do Café, em Belo Horizonte (MG)

Todos juntos

Na fazenda, cada integrante tem uma função clara e indispensável: Maria Rosalina, a mãe, cuida dos custos e da rotina diária; Camilla, a irmã, atua no desenvolvimento da marca e do negócio; Luis Carlos lidera a gestão das lavouras e Carolinna integra reflorestamento, pós-colheita e avaliação sensorial dos lotes.

Essa engrenagem familiar explica por que pai e filha conseguiram, na mesma propriedade, produzir cafés com personalidades sensoriais distintas, porém igualmente refinadas. O sucesso, eles garantem, nasceu do trabalho conjunto — e, sobretudo, de uma confiança construída ao longo de muitos ciclos.

“Produzir café de qualidade é sobre dedicação em cada etapa. Aprendi isso com meu pai”, conta Carolinna. Sua principal contribuição, afirma, foi preparar as lavouras para um futuro de clima variável: “Integramos reflorestamento, manejo sustentável e inovação. O café precisa acompanhar o mundo que está mudando.”

O momento em que o café se transforma

O diferencial da família está no investimento em fermentação controlada, processo que exige técnica, repetição e coragem para experimentar — uma marca registrada da Fazenda São Bento. Ali, a pós-colheita é entendida como a fase em que o café realmente se revela.

“A fermentação é fundamental para alcançarmos resultados superiores. Mas tudo começa na formação da lavoura, na escolha das variedades, na adubação e no ponto certo de colheita”, explica Carolinna. Ao ano, a fazenda produz cerca de 1.200 sacas, manejadas com rigor técnico e diferentes métodos de secagem e beneficiamento.

A virada com a chegada das filhas

Luis Carlos lembra com clareza o momento em que decidiu investir nos conilons especiais, quando o mercado ainda não reconhecia o potencial sensorial da espécie. “Foi por minha conta e risco. Não sabíamos onde aquilo ia dar”, diz.

O ponto de inflexão veio quando a família se integrou de vez ao negócio. “Minha esposa e minhas filhas trouxeram leveza e coragem. Me ajudaram a atravessar a ponte e entender que a forma de produzir café estava mudando. Foi ali que tudo começou a tomar outro rumo”, afirma.

A força da pesquisa e da extensão rural

O sucesso da Fazenda São Bento também passa pelo Incaper, parceiro histórico da família. A instituição colaborou na seleção de variedades, conduziu experimentos conjuntos e ofereceu apoio técnico em diferentes fases da produção.

“O Incaper foi fundamental. Sou odontólogo de formação. Sem os dias de campo, as publicações e as orientações técnicas, não teríamos construído essa base sólida”, afirma Luis Carlos.

O extensionista Cássio Venturini destaca o compromisso da família com a evolução técnica. “Participaram de todas as edições do concurso de cafés especiais de Santa Teresa. O nível é alto, e eles sempre avançam”.

Para Carolinna, essas experiências aceleraram o crescimento da produção. “Os concursos são didáticos, promovem trocas importantes e nos ajudam a entender melhor o potencial de cada lote”.

 

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