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As chuvas demoraram para chegar em parte do Brasil Central neste início de primavera, e o fenômeno climático La Niña promete redefinir o cenário agrícola da safra 2025/2026. O atraso no retorno da umidade prejudicou o plantio da soja em diversas regiões, forçando produtores a adiar o início da safra e a rever o calendário agrícola. A consequência imediata é o encurtamento da janela de plantio e impactos sobre culturas subsequentes, como o milho segunda safra.
Segundo a meteorologista Nadária Pereira, da Climatempo, a La Niña foi confirmada em outubro pela Agência Nacional de Oceanos e Atmosfera dos Estados Unidos (NOAA). O fenômeno é caracterizado pelo resfriamento das águas do Pacífico Equatorial, o que altera a circulação dos ventos e modifica o regime de chuvas e temperaturas em várias partes do mundo.
Durante a atuação da La Niña, é comum observar chuvas reduzidas na Região Sul e precipitações mais intensas no Norte e Nordeste do país. Também há registro de ondas de frio tardias e formação mais frequente de corredores de umidade, que podem provocar longos períodos de chuva — as chamadas “invernadas” — sobre o interior do Brasil.
Depois de um setembro e outubro marcados pela irregularidade, o mês de novembro deve ser mais úmido do que o normal no Centro-Oeste, Sudeste e parte da Bahia, segundo as projeções. O excesso de chuva, embora benéfico para culturas perenes como café e cana-de-açúcar, pode dificultar o manejo e a colheita da soja, além de reduzir a janela ideal para o milho segunda safra.
Enquanto isso, o Sul do país deve enfrentar períodos mais secos, com aumento do risco de veranicos, especialmente no Rio Grande do Sul. A combinação de calor intenso e escassez hídrica pode comprometer o desenvolvimento das lavouras e afetar a formação de pastagens durante o verão.
Mesmo sendo considerado um episódio de La Niña fraco e de curta duração, segundo a meteorologista, o fenômeno ocorre pelo segundo ano consecutivo e tende a produzir efeitos mais marcantes no campo e no mercado. A irregularidade climática pode gerar maior volatilidade nos preços da soja e do milho, elevando os riscos, mas também abrindo oportunidades para quem conseguir escapar dos extremos de clima.





