Os desafios do café na pauta dos produtores de Jacu

O 10º Simpósio Regional do Café Conilon, realizado na comunidade de Jacu, em Cachoeiro de Itapemirim reuniu cerca de 60 produtores da região que foram em busca das novidades do setor

*Elisangela Teixeira


Os desafios do mercado e o manejo da lavoura foram os temas centrais do 10º Simpósio Regional de Café Conilon, realizado nos dias 09 e 10 deste mês
na comunidade de Jacu, distrito de Burarama, em Cachoeiro de Itapemirim, sul do Estado. O encontro reuniu cerca de 60 produtores da região que foram em busca de novas informações e das novidades que estão chegando no Brasil e no mundo.


No primeiro dia foi realizada uma conferência sobre ameaças e oportunidades para a cafeicultura mundial com o presidente do Conselho dos Exportadores de Café, Nelson Carvalhaes. No segundo dia foi feito um ciclo de painéis com temas variados, desde os desafios e perspectivas do setor até conservação do solo e da água.


De acordo com o presidente da Associação de Jacu, Renato Martins Dardengo, o objetivo do evento foi chamar a atenção dos produtores da comunidade e da região para que eles pudessem adquirir novos conhecimentos e levar as práticas para as próprias lavouras. Para ele, o evento serviu ainda para injetar novo ânimo aos produtores.


“Escolhemos os temas conforme a necessidade que detectamos nos produtores de nossa região, que pudesse fazer com que eles agregassem valor ao produto que comercializamos. Quando a gente tem uma visão externa, fica mais fácil vislumbrarmos novos horizontes. O pessoal ficou animado e esperamos que juntos, possamos dar um gás em nossa produção ”, explicou Renato.


Hoje a comunidade de Jacu e seu entorno possuem cerca de 120 famílias produtoras de café e tem uma produção média de 30 mil sacas de café conilon por ano, dos tipos 6, 7 e 7.8. Como é de se esperar, a cultura do café é a principal atividade econômica, seguida pela criação de gado leiteiro e depois de corte.


Hoje, 80% da produção da comunidade vai para a mão de atravessadores, boa parte destinada ao município de Castelo, cidade próxima de Jacu. Segundo Renato, embora seja a solução mais viável neste momento, os produtores consideram este tipo de venda um gargalo a ser resolvido.


“Nosso produto tem boa qualidade, porém perdemos no valor pago por não conseguimos levá-lo diretamente ao consumidor ou a indústria. Temos buscado alternativas, como a formação de cooperativas, mas esbarramos na quantidade da produção, que ainda é baixa, uma questão cultural que também precisa ser sanada. Temos muitos projetos, mas para o futuro, pois no momento eles ainda não são viáveis”, esclareceu o presidente.


Melhorias

Durante o Simpósio do Café, os produtores de Jacu também comemoraram o anúncio recente do Governo do Estado de duas importantes obras para a comunidade. A primeira delas será a chegada do asfalto ao trecho de um quilômetro que fica na chegada de Jacu e vai ajudar no escoamento da produção. “Parece pouco, mas lutamos muito para cobrir esse pedaço de chão, pois ele fica na entrada e saída até o asfalto e isso nos prejudicava muito, principalmente no período das chuvas ”, disse Renato.


Outra obra será a construção de uma barragem via programa Caminhos do Campo na cabeceira do açude Floresta, com capacidade de armazenar 150 milhões de litros de água. De acordo com o secretário de Agricultura e Interior de Cachoeiro de Itapemirim, Robertson Valladão, a obra tem dois objetivos fundamentais.


“O primeiro é regular a vazão do Rio Floresta, que no inverno é insuficiente. Ele chega a parar de correr e não abastece todo mundo da vila de Burarama. A barragem vai regular o fluxo e oferecer água o ano todo. O segundo é permitir que esses produtores rurais da região usem essa água para irrigação. Como a gente teve um longo período de seca e precipitação muito abaixo da média, não foi possível manter o nível o ano todo. Muitos não tinham sequer água para dar para as vacas beberem ”, assinalou o secretário.


Ele adiantou ainda que o projeto está pronto e licitado, aguardando a liberação da Secretaria Estadual de Meio Ambiente. A previsão é de que obra seja iniciada até o fim do ano.

“O café para Cachoeiro é muito importante. Hoje 50% dos produtores do município produzem café, é a cultura que emprega o maior número de pessoas, quase a mesma quantidade do setor de rochas por exemplo. O café o leite juntos empregam mais que o setor de rochas. Socialmente é uma cultura importante. A manutenção da lavoura de café produtiva significa geração de emprego e renda, melhoria das condições de vida e nós, enquanto poder público, temos que cuidar da infraestrutura para ele levar essa produção ao mercado ”.
Robertson Valladão, secretário de Agricultura e Interior de Cachoeiro de Itapemirim

O que disseram os produtores


“Esses eventos são importantes para nós. É preciso acompanhar os avanços tecnológicos de um modo geral, e no campo não é diferente. Quando temos acesso a tantas e diferentes informações podemos avaliar se estamos no caminho correto ou se é necessário rever nossos métodos e atitudes. Achei interessante a palestra sobre os desafios da produção do café e sua distribuição para o comércio ”.

Carlos Tatagiba Martins, produtor do sítio Jacutinga, da localidade de São Brás, em Burarama


“O evento tem sido importante para esclarecer as ideias que o produtor já tem. Normalmente já temos um tipo de manejo, inclusive seguindo orientações técnicas, então quando podemos acessar novas informações, conseguimos rever e levar as novidades para a propriedade, ajuda até no aumento da produção ”.

Gilvan de Souza Moulin – produtor da comunidade de Jacu

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