A empresária Kátia Serrão Paganotti contou que herdou a fazenda do pai e aprendeu com ele a gostar da pecuária de leite
A empresária e produtora Kátia Serrão Paganotti, de Iconha, tem uma história em comum com a Maria Eunice Cysne, de Mimoso do Sul. Ela também herdou a fazenda do pai sem ter conhecimento sobre a produção leiteira, mas não demorou muito para aprender e entender que continuar com a atividade do pai foi sua melhor escolha.
“Meu pai sempre foi um homem muito avante, até mesmo do tempo dele. Apesar de não ser um hobby, ele mantinha a fazenda sempre em ordem. Quando falam hoje que som é bom para os animais, meu pai já tinha som no curral há anos. Há mais de 30 anos temos som para as vacas. Temos ventilador há anos. E o que eu fiz, foi acompanhar um pouquinho desse trabalho e tentar dar continuidade ”, conta.
Kátia mora em Guarapari e é gerente financeira de uma empresa de distribuição de bebidas ao lado do marido e dos filhos. Ela divide o seu tempo com a propriedade, a fazenda Vale do Sol, em Iconha. “Herdei do meu pai esse gosto pelas vacas de leite. Quando fazemos algo que gostamos, conseguimos superar muita coisa. Quando meu pai morreu, nos primeiros dias estava sob o impacto da morte dele, depois sob o impacto de ter uma propriedade para tomar conta. Eram três famílias aqui que dependiam dele, tinha animais, que são seres vivos e que precisam de cuidados, enfim, contei com a mão de obra já existente e o conhecimento deles, e estou aprendendo até hoje, no dia a dia. Chego aqui e me transporto para cá de tal forma, que não lembro que existe a empresa em Guarapari ”, ressalta Kátia.
A adaptação foi aos poucos. Hoje, Kátia possui ordenha mecâ,nica, fez projeto de irrigação e tenta manter tudo que o pai já tinha na fazenda. “Era daqui que meu pai tirava o sustento, mas ele agregou a isso, um lugar prazeroso, gostoso de ficar, limpo, arrumado e bom de estar. Hoje, o que me mantém aqui é isso. Tenho no sangue e o gosto, principalmente, pelas vacas de leite, que não são fáceis de mexer. Com algumas mudanças, em cinco meses mais que dobrei minha produção ”, explica.
Kátia passou a fazer o pré-parto das vacas, o que lhe garantiu esse aumento da produção. “Começamos a pesar o leite e vimos que temos vacas com potencial, geneticamente, muito bom. Foi a partir daí que definimos a alimentação de cada uma. O pré-parto também foi muito importante. Comprei o sal mineral pré-parto e já vínhamos trazendo os animais para a maternidade, que é onde elas ficam quando já estão prestes a criar, e ali são tratadas com o sal e fubazinho. Quando chegam a criar, elas estão fortes e bem nutridas, a ponto de realmente vir bem aleitadas. Esse pré-parto foi fundamental ”, continua a empresária.
Ela garante que a fazenda não é uma obrigação, mas um prazer. “O pré-parto me ajudou muito a aumentar o leite. Eu estava tendo realmente alguns problemas de aborto, e até mandei fazer exames para saber se existia algum problema. Desde que comecei, não tive mais problema. Seca a vaca na época certa ”, frisa.
Kátia conta a com a ajuda do filho, Marcelo Serrão Paganotti. “Meu filho está se interessando e tem me ajudado bastante na fazenda. A minha expectativa é que eu consiga manter essa propriedade até morrer. Espero que ela consiga se pagar totalmente. Isso aqui para mim também é uma empresa que está caminhando para ser auto suficiente. Minha meta é tirar 1.000 por dia. Hoje, tiro 700 litros. Não posso tirar mais. Tenho o pé no chão. Minha propriedade comporta isso e é isso que quero. Me considero realizada nesse sentido. Não posso estar 100% aqui presente, mas tenho a produção que desejo ”, finaliza a produtora.
Sebrae ES incentiva a produção
Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Espírito Santo (Sebrae ES), por meio do Projeto de Pecuária de Leite, auxilia produtores rurais que buscam melhorar sua produção de leite. O projeto, desenvolvido junto às cooperativas e laticínios particulares capixabas, prevê ações de cunho tecnológico e gerencial que resultam na melhoria da rentabilidade e produtividade, ou seja, melhoria da eficiência na gestão da propriedade rural e promoção do acesso à inovação e tecnologia, utilizando a metodologia Sebraetec.
Implantado em 2011, o programa atende do Norte ao Sul capixaba e trouxe um novo foco em 2015. De acordo com o analista da Unidade de Atendimento ao Agronegócio do Sebrae ES e gestor do programa, Thiago Martins Costa, a palavra de ordem para os trabalhos do Sebrae ES é retorno, pois a ideia é “colocar dinheiro no bolso do produtor ”.
Para isso, Thiago explica que será necessário alcançar um objetivo: produzir mais leite, com mais qualidade, utilizando uma área menor e tendo menos custos. A ideia é trabalhar com o produtor, permitindo que ele possa evoluir na cadeia de produção. Sendo assim, mudar sua categoria, passando de agricultura familiar para semiextensiva, e de semiextensiva para intensiva, garantindo a rentabilidade do produtor.
Em 2015, o Projeto de Pecuária de Leite deixou de ser regional e passou a ser estadual. Em parceria com a cooperativa Veneza, os produtores da região Noroeste, puderam comemorar os ótimos resultados de 2014. Cerca de 270 produtores conseguiram superar momentos de dificuldades, mantendo a linearidade da produção nos períodos de seca, sem fazer com que o produto perdesse em qualidade.
Um dos produtores rurais que obteve melhoras em sua propriedade no ano de 2014 é o Silvano dos Santos, morador de Pinheiros. Antes de participar, o empreendedor tinha seis vacas e uma produção média de 30 litros por dia. Com sua participação na cooperativa já ampliou e evolui, chegando a possuir atualmente 40 vacas, que produzem 500 litros por dia. A produção passou de cinco litros por vaca para cerca de 12,5 litros.
Ainda segundo Thiago, a cooperativa Veneza é extremamente atuante no que diz respeito ao projeto. “A cooperativa tem total preocupação com o sucesso do seu cooperado e, se assim permanecer, será uma peça fundamental para que as metas de 2015 sejam concluídas dentro dos prazos ”.
A pecuária de leite desenvolve papel fundamental para a geração de emprego e renda familiar. O pequeno produtor deve ter uma produção mínima de leite/dia superior ao seu ponto de equilíbrio. Para tanto, o acompanhamento sistêmico das consultorias tecnológicas do Sebrae, é crucial para a sobrevivência desses negócios.
Segundo o gestor do programa, atuar em um projeto como este é um desafio muito grande e ao mesmo tempo motivador. “É, um segmento da economia capixaba muito importante, e o que a gente espera é fazer com que a metas estipuladas pelo Sebrae ES sejam conquistadas, que a família do produtor veja sua propriedade como renda, e que realmente tenha essa renda. O Sebrae vai trabalhar com a gestão de uma atividade econômica. Essa é a nossa função ”, declara Martins.
Sebraetec
O Sebraetec é um instrumento que tem o objetivo de promover o acesso aos serviços tecnológicos aos pequenos negócios, fortalecendo sua competitividade no mercado. Também oferece apoio ao desenvolvimento de projetos de inovação, de gestão tecnológica e de indicação geográfica.
Quem pensa que produção rural é coisa só para homens está muito enganado. O projeto de Pecuária do Leite do Sebrae ES atende a muitas mulheres, que não só estão à frente das propriedades, como têm alcançado excelentes resultados.
Já não é de hoje que as mulheres têm conquistado sucesso no mercado de trabalho. Mas essa não é uma verdade apenas em se tratando das profissões urbanas. Elas também marcam presença no meio rural.
De acordo com dados do projeto de Pecuária do Leite do Sebrae ES, as mulheres se destacam à frente de propriedades voltadas para a produção de leite, tanto no quesito quantidade quanto na qualidade do produto.
Das 1.498 propriedades que produzem leite atendidas pelo Sebrae ES, 169 são comandadas por mulheres. Em muitas dessas propriedades, percebe-se um aumento na produção, sendo que em algumas houve aumento de mais de 100% na produção diária de leite.
A produção por vaca também aumentou, fruto dos cuidados com os animais, que incluem, por exemplo, ração balanceada e acompanhamento genético. Também aumentou o número de vacas em lactação por hectare.
Mas não é só na quantidade que estão sendo feito mudanças. Boa parte dos avanços protagonizados por essas mulheres têm sido na qualidade do produto. Cuidados com a higiene, por exemplo, garantem leite de mais qualidade, que alcança melhores valores no mercado.
Fonte: Sebrae ES